Uma fotografia da mudança
Depois de conversar com o Freddy sobre escrever um artigo no site dele, a primeira coisa que me veio à cabeça foi traçar um paralelo entre o processo de decisão que acontece em uma aventura, em um Trekking, com a minha mais recente e importante decisão de vida: aos 30 anos deixar minha bem sucedida carreira de consultor de marketing em grandes empresas para me tornar um fotógrafo em início de carreira na Holanda.
São decisões que afetam nossa vida e, por isso, intuição, fé e coragem valem muito mais do que fórmulas e teoria.
Nessa experiência de mudar de carreira, acabei seguindo um roteiro informal que hoje parece bem estruturado e “dentro do previsto”, mas que há poucos meses atrás era só uma boa idéia e um projeto que acontecia em seu próprio ritmo.
No início me questionei qual era o problema, já que trabalhava em grandes empresas há quase 8 anos e, repentinamente, senti vontade e necessidade de mudar. Encontrei várias respostas, como a vontade de ser meu próprio chefe, ter horário flexível, ter mais tempo para família e amigos, ter mais qualidade de vida e isso envolve menos trânsito e menos poluição.
Reuni informações sobre o que me incomodava das alternativas que eu tinha para mudar, um “material” que inicialmente estava na minha cabeça e precisava de um pouco de organização. Discuti esse assunto diversas vezes com minha mulher, meus amigos, minha família, minha terapeuta e organizei as informações do meu jeito.
Listei as possíveis alternativas de mudança de carreira e pensei em como seria minha vida em um ou dois anos em cada uma das possibilidades, com os prós e contras das várias alternativas, além da viabilidade e conseqüências de cada uma delas.
Formei um cenário do que seria melhor para mim e as dificuldades que poderia entrar no caminho para isso acontecer. Tomei a decisão de abandonar o mundo corporativo e apostar que a paixão pela fotografia poderia se transformar em profissão e modo de vida.
Passei um longo período me preparando para encarar o mercado fotográfico. Ainda trabalhando como consultor, fiz vários cursos dos quais dois foram imprescindíveis para que eu continuasse motivado e para que eu não desistisse: um deles de “Fotografia como expressão artística” com a Vera Albuquerque e o outro de fotojornalismo com o Caetano Barreira.
Nesse momento, além de já ser o fotógrafo oficial da família e dos amigos, fiz o primeiro calendário para empresa de um amigo, cobri o primeiro evento, comecei a divulgar meu trabalho e a buscar contatos.
Aproximadamente um ano depois, e com o segundo calendário “no forno”, teclo do apartamento no canal Singel, centro de Amsterdam, onde vivo atualmente. Agora a rotina de reuniões, projetos, orçamento e planejamento foram substituídos pela busca do melhor ângulo, a procura pela luz ideal, muita conversa e apresentação do trabalho para agências, bancos de imagens no Brasil e na Holanda.
Ainda me sinto no meio da aventura. É cedo dizer se terei tanto sucesso na carreira de fotógrafo quanto na de consultor de marketing. Assim como os “trekkers”, sei que ainda tenho muito a percorrer, mas o que sinto agora é que foi a decisão certa, no momento certo.
Espero que o relato da minha experiência encoraje mais pessoas a procurar o seu caminho para uma vida mais saudável.
Marcio Nel Cimatti é fotografo profissional especializado em editorial, fotojornalismo, natureza, esporte e corporativo.
Atualmente mora na Holanda e escreve em seu blog e site, visite:
http://ajanelalaranja.blogspot.com/
www.marcionelcimatti.com